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sábado, 16 de dezembro de 2017

O fascismo inventado pelo estalinismo

Vasco Pulido Valente há uns anos escreveu isto no Público para ilustrar a imbecilidade comunista em apodar todos de fascistas, como manobra táctica de esconjuro do totalitarismo estalinista. O recado ainda hoje é válido:


Por falar em Vasco Pulido Valente, o que é feito do cronista do Observador, desaparecido da escrita pública há mais de seis meses e sem  notícias? Alguém sabe alguma coisa? 

VPV é um dos poucos imprescindíveis no espaço público de opinião.

Jornalismo de lixo

O Público de hoje tem esta pequena  nota, sobre um julgamento que decorreu num tribunal e cuja decisão foi conhecida esta semana:


O autor deste apontamento, no "espaço público" do jornal  que assina como D.Q.A será certamente o director adjunto Diogo Queirós de Andrade.

Não sei onde aprendeu jornalismo, talvez numa das madrassas da capital que se dedicam à "comunicação social".
O que lhe ensinaram por lá já foi suficiente para poder figurar no cabeçalho do jornal e este escrito é uma prova da sua incompetência profissional e da sua ignorância pessoal.
Incompetência profissional porque se afoita em área de profissão que não domina e por isso se estende ao comprido naquela que julga dominar. Ignorância porque  o atrevimento e a burriquice derivam sempre desta circunstância

O tal Carrilho foi absolvido do crime de violência doméstica por decisão de um tribunal de primeira instância, ainda não transitada em julgado.
O recurso, já anunciado,  permitirá ao tribunal superior sindicar as razões e fundamentação da decisão. O que sabemos para já é que a juiza que presidiu ao julgamento entendeu que a prova produzida em audiência não foi suficiente para a condenação e escreveu porquê.
Pode ter decidido bem ou mal e isso será apreciado pelo tribunal superior.

Não obstante, um jornal não é um tribunal e os jornalistas não deveriam fazer de juízes botando sentenças e escrevendo opiniões avulsas a eito quando o que se lhes pede é que noticiem factos e se emitirem opinião que a fundamentem melhor, pelo menos.
O que não se admite é que alvitrem sentenças sem contraditório e apenas baseadas em impressões subjectivas. Relativamente a esses factos o jornalista em questão dá por assente o que o tribunal não considerou como tal.
Mesmo que seja essa a convicção do jornalista este deveria evitar a opinião assim expressa porque ninguém lha pediu e poderá estar errada, além do mais.


Para além disso o mesmo jornalista tece considerações no escrito a propósito de preferências idiossincráticas  da juíza do caso concreto para melhor sustentar a sua opinião contrária.

Já não bastava o jornalismo travestido de propaganda político-ideológica que abunda no Público, ainda sobra um jornalismo opinativo digno da lixeira mediática.
Se quiser escrever baboseiras, este jornalista tem muito para onde ir: facebook ou blogs.Ninguém lhe ligará nenhuma e assim é que estará bem.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

O caso Raríssimas não é raro


24Sapo:

Raríssimas: Não pode ser feita "uma generalização destes casos, a grande maioria [das instituições] trabalha de forma séria e dedicada", diz Marcelo

Ou seja, o presidente da República já fez um juízo público sobre algo que não deveria fazer. Por outro lado, garantiu o que não pode garantir: que a grande maioria das instituições funciona bem.

Funciona bem, como? Sem nepotismos? Sem carros de luxo relativo e despesas por conta que o Estado paga? Sem imoralidades sociais, quer dizer, "doutores" da mula ruça que nunca o foram mas esperam que os tratem como tal, como era o caso da dona raríssimas? Então não tivemos um primeiro-ministro com um curso superior marado, que todo o Estado encobriu ( o MºPº no Administrativo entendeu que não era caso para anular...)?

O Estado subsidia estas imoralidades porque é jacobino. Basta que o funcionário público do momento, ministro, secretário de Estado ou mero "xota" que se junta em influências com cartão do partido,  tenha o mínimo apoio legal para tudo ser legal e justificável. E de caminho sentirem-se indignados pelas suspeitas...

Um BMW série 5 para a direcção da instituição? Porque não? Não é assim que procedem os funcionários de câmaras, sejam vereadores politicamente escolhidos ou os assessores de ministérios? Quem são eles mais que os outros? Não mudam frequentemente de máquina, sempre por modelos de gama condizente com a imagem que essa gente tem de si mesma?
Comprarem bens e adjudicarem serviços que aparentemente serão sumptuários?  E os ajustes directos, sempre justificados legalmente, claro? 

E o dinheiro que isso paga não é de todos os que pagam impostos?

E as "auditorias" pagas a peso de ouro às consultoras do costume que se limitam a olhar para números cegos em balanços e balancetes?

O presidente da República devia ter senso, não se manifestar intempestivamente e fazer o que lhe é exigível: como supremo magistrado da Nação mudar este estado de coisas. Esta imoralidade que o Estado patrocina. Marcelo, como presidente, espelha algo que é muito desagradável: sintoniza pelo mínimo denominador comum, o que é estranho num indivíduo com o seu currículo pessoal, desde o tempo anterior ao 25 de Abril de 74. Marcelo é um personagem estranho, sem memória, aparentemente. Vive o presente de acordo com o que lhe parece mais adequado. Estranho.

O caso Raríssimas é vulgaríssimo, se se for a ver com olhos de ver. E há um sinal: a dona Maria Cavaca deu apoio à Raríssima. Não viu quem estava à frente daquilo. Não percebeu...o que também é sintomático da pinderiquice que temos como elite.
Tudo deprimente.

Aqui, Alberto Gonçalves diz o mesmo com outro estilo, assim:
 
E é uma história edificante. Aos poucos, Paula Costa trocou o pretexto declarado da associação por objectivos não declaráveis: melhorar os níveis de conforto das pessoas envolvidas, naturalmente a começar por ela própria. Principiou pelo essencial, leia-se mudar o nome, a que acrescentou o “Brito” e o “e”. E continuou a fazer o que os simples imaginam que as classes sofisticadas fazem: ser arrogante para com os funcionários, passear-se em carro alemão, vestir roupas de marca, viajar a “trabalho”, frequentar “ilustres”, chafurdar no PS, etc., tudo alimentado pelo dinheiro despejado na Raríssimas. Tudo, ou quase tudo, alimentado pelo Estado. A história de Paula Brito von Costa é, em larga medida, a história do Portugal contemporâneo.

Porém, o curioso não é a história, mas o escândalo que provocou. Em 2017, a maioria de nós mantém intacta a capacidade de se espantar com a vocação indígena para a trapaça, o abuso e as encantadoras contingências do convívio – sempre desinteressado – com o poder e em especial o poder subjugado à ética republicana. A piada é que a minoria finge interpretar o episódio ao contrário e, numa espectacular demonstração da inteligência que atribui ao cidadão médio, apressou-se a culpar os culpados do costume, isto é, os que ilibam os culpados reais.

No instante em que se descobriu a cumplicidade na tramóia de um ministro confiável, um secretário de calções e um punhado de socialistas alegres, os funcionários da propaganda lançaram a responsabilidade para cima da jornalista Ana Leal (porque fintou a censura, perdão, o código de decência, perdão, as regras de preservação da privacidade), da esposa de Cavaco Silva (porque era madrinha da Raríssimas), de Pedro Passos Coelho (porque sim) e, principalmente, do pormenor criminoso de a Raríssimas não pertencer ao Estado. Nas televisões nacionais, vi aquelas criaturas que só caberiam nas televisões nacionais e na figuração do “Walking Dead” jurar que as aventuras de Paula Brito y Costa se devem à existência de entidades, e já agora de indivíduos, objectos, sentimentos e bolas de Berlim exteriores à esfera pública. É inegável que a importância da privacidade varia com as circunstâncias.

Fora do manicómio em que saltita boa parte da “opinião”, o problema da Raríssimas não é ser “particular” na designação, nos estatutos e na teoria: é não ser particular na prática. Os truques de Paula Brito de la Costa, apenas condenáveis pela origem dos financiamentos, não diferem dos praticados ou invejados por milhões dos nossos queridos conterrâneos. Num lugar em que o Estado asfixia o que pode, muitos acham o exercício erótico e, no lado certo, lucrativo. Fora da esfera pública, sobra pouco. Nove em dez portugueses (estimativa baixa) dedicam os respectivos expedientes, e horas extra, a catar o patrocínio dos portugueses em redor. Uns vão directamente à fonte e alistam-se na política e adjacências. Outros preferem simular independência empresarial. Os terceiros, nem de propósito, ficam-se pelo “terceiro sector”, o da “solidariedade social” e de Paula Brito van der Costa. Descontadas as excepções da praxe, todos querem o mesmo. Em geral, conseguem-no. Em geral, até ao dia em que o golpe se torna público, um raríssimo momento em que os portugueses respeitam o que é privado.


Outra perspectiva ainda mais interessante e produtiva, a de Rui Pereira no Correio da Manhã de hoje. O que ele diz é que no tempo de Salazar e Caetano havia mais honradez, princípios morais e decência, até política, apesar de não haver democracia de tipo ocidental.
Tem vergonha de o dizer, mas fica subentendido.



E esta, do mesmo jornal também não está mal apanhada porque dá mais um ponto de perspectiva para a definição do quadro real da desgraça em que nos encontramos.


E mais duas. Do Público e de dois elementos da intelligentsia nacional-jornalística sempre prontos a alvitrar palpites sobre ética, moralidade e tudo o que venha à rede do politicamente correcto devidamente contextualizado. No tempo de Sócrates nada viram, pouco ou nada souberam e o que sabiam era sempre por malfadadas violações de segredo de justiça imputáveis sempre aos mesmos que eles conhecem de ginjeira porque também percebem de assuntos judiciários e não admitem tais malfeitorias geradoras de males gravíssimos para a reputação dos que defendem.

Desta vez, porém, têm ambos razão de fundo e na forma: a corrupção perfeita é mesmo isto e só é pena que a consigam lobrigar de vez em quando e não tenham o astrolábio sempre à mão, quando é preciso e não apenas conveniente. O Pacheco convive semanal e avençadamente, com salário gordo, como um Jorge Coelho de Contenças que se enquadra perfeitamente neste retrato negro da corrupção à portuguesa. Nunca se deu por achado...porque a Sic paga bem, muito melhor que o Estado. Et pour cause...


Só me questiono numa coisa: sabendo tão bem estes intelligentes como funciona a sociedade portuguesa, profundamente corrupta, como é que continuam sempre no mesmo registo político que  no fim de contas a condiciona e apoiam os seus maiores corruptos, até em amizades?

Estranho. Por exemplo, esta imagem de Gerardo Santos, publicada no DN de 25.10.2014 nada lhes diz sobre a temática que agora os ocupa na articulação de assuntos para o jornal.
E no entanto a semiologia da mesma encontra-se perfeitamente integrada no que os mesmos escrevem agora mas dantes não escreviam.

A legenda da foto poderia ser: sempre juntos ao lixo.


Esta cegueira tem um nome: facciosismo.

A Direita que desapareceu, em Portugal

Depois de muito procurar dei com o livro de Riccardo Marchi, A Direita nunca existiu, publicado em segredo pelo Instituto de Ciências Sociais.  Parece que se não fosse António Costa Pinto, um esquerdista de antanho, revolucionário, tornado professor no dito Instituto, nem sequer haveria livro.



O índice dá um panorama dos assuntos tratados, todos relacionados com algumas pessoas que já desapareceram do mapa político e até do convívio físico e espiritual porque já morreram.


 A imagem da capa foi tirada de uma foto que o jornal semanário O Diabo publicou em 6 de Dezembro de 1977 e mostra uma manifestação de quem não se sentida identificado com a esquerda portuguesa, a descer uma avenida de Lisboa (a Av. da Liberdade ?).

Hoje em dia tal foto seria impossível porque não há tanta gente que se identifique com algo que não seja a esquerda, em Portugal.

Há um défice de direita em Portugal e tal se deve ao predomínio da informação e doutrinação em madrassas de ensino superior, totalmente dominadas pela ideologia esquerdista.

Mesmo os que não eram esquerdistas, nesse tempo dos anos setenta, renderam-se às conveniências pessoais, virando a casaca que nunca tiveram.

Em  Abril de 1986 o O Jornal classificava de "direita" estas personagens:


Hoje em dia, alguém como Jaime Nogueira Pinto que também arranjou lugar como professor algures foi barrado pela "esquerda" académica de alunos ignorantes como se fosse um perigoso fascista.

Notoriamente, porém, conformou-se com o regime e até charla semanalmente no sítio do Observador, fazendo contraponto a um comunista ( Ruben de Carvalho) e a um socialista moderado ( Jaime Gama). Quase nunca se nota o pendor direitista acentuado, mas apenas o conformismo assolapado pela idade. (En)calhou.

A Sábado entrevistou-o, publicando ontem a entrevista:



Não obstante, como conta Riccardo Marchi, até 1980 a Direita tentou encontrar um rumo e uma organização coerente que falhou redondamente e é desse falhanço que o livro dá conta, notabilizando uma personagem já desaparecida e que lutou para que não fosse esse o destino: Manuel Maria Múrias.



Em Maio de 1981 o jornal A Rua desapareceu e com ele uma voz que pretendia ser a da Direita em Portugal. Até hoje...

O obituário é de Marcelo Rebelo de Sousa, aliás muito apropriado. 


quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Descoberto o maior historiador nacional

Na Sábado de hoje pode aprender-se uma nova História de Portugal através dos ensinamentos de alguém que só pode ser uma sumidade: Cláudio Torres.

Parafraseando Camões,  cessem do sábio cronista as lembranças, dos feitos  dos nossos reis antigos. Calem-se Zurara e outras fontes de toda a nossa história antiga e medieva; que este novo historiador descobriu o segredo lusitano destes séculos num buraco coberto de terra e de figueiras!



Outro caso de ética raríssima: uma Ordem que se respeita.

Tudo legal, pelos vistos. Aposto que vão dizer que a Ordem não depende do Estado ( mas recebe subsídios, pela certa).
Tudo legal, portanto, mas errado, muito errado. A ética é sempre uma batata, nestas pessoas que se habituaram a viver com carro e motorista quando antes tinham que pagar portagens, combustível. oficina e era tudo.

Rui Rio recebe 1.500 euros brutos mensais, pelo menos desde 2013, como vice-presidente da Assembleia Geral da Ordem dos Contabilistas Certificados (OCC). O candidato a presidente do PSD, que no primeiro discurso aos militantes disse que a política precisava de “um banho de ética”, recebeu 21 mil euros ilíquidos por ano (14 meses), para estar presente na condução de três reuniões realizadas em 2016 e duas em 2017. A título de exemplo o presidente da Mesa da Galp recebe três mil euros anuais.
O presidente da Mesa da Assembleia da Ordem dos Contabilistas é o socialista e eurodeputado Manuel dos Santos, que ganha dois mil euros mensais ilíquidos (28 mil por ano). Mas essa remuneração chegou a ultrapassar os cinco mil euros por mês numa fase em que este foi compensado pela própria ordem (com mais três mil euros mensais) por ter perdido o direito à pensão vitalícia como ex-deputado. Os salários elevados dos membros dos corpos sociais da OCC estão a causar controvérsia nas eleições para aquela ordem profissional que têm lugar para a semana: o bastonário ganhava 10 mil euros, um vice-presidente ganha 6.100 euros, e os cinco vogais recebem cinco mil euros cada um.



Uma obscenidade de primeiro-ministro


“este ano foi um ano particularmente saboroso para Portugal”, António Costa 

imagem ho/Reuters

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Éticas vulgaríssimas

O escândalo empolado da associação Raríssimas ( parece que vestia "luxo" asiático de 200 euros...imagine-se o desaforo!) é sinal de outra coisa bem mais grave e subterrânea,  a que uma notícia de hoje pode levantar o véu e que aliás suplanta qualquer escandaleira de meia tijela com factos de tijela rachada ( carros "BMW", "viagens a lugares paradisíacos", etc.):

Observador:

O ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva ocupou o cargo de vice-presidente da Assembleia Geral da Raríssimas, avança o jornal Público. O cargo na vice-presidência da Assembleia Geral foi ocupado entre 2013 e 2015 — antes de ser ministro no actual Governo, confirmou o gabinete do ministro ao mesmo jornal.
O cargo de Vieira da Silva na Raríssimas é o único “cargo social” que consta da declaração de registos de interesses divulgada pelo ministro e consultável na página do Parlamento.

Este ministro Vieira da Silva é um personagem sinistro há muitos anos. De facto, desde o caso Casa Pia.
Enquanto esteve em pousio politico-governativo deve ter andado por aí, sempre ao lado do largo do Rato, em actividades beneméritas como a apontada.

Seria muito interessante conhecer o que ganhava com isso. Realmente, ou seja, o que lhe entrava na conta pessoal todos os meses.

Mário Soares, um dia, classificou Paulo Portas como um "tumor que devia ser extirpado". É precisamente o caso desta personagem mirolha ( não resisti porque me enoja, este indivíduo).

Se alguém quiser mesmo levantar outros véus de escandaleiras avulsas e pindéricas, como é este caso, terá mesmo muito por onde esgaravatar, por exemplo  pelos beneficiários directos desta condenação que deu então à Raríssimas e outras associações beneméritas algumas centenas de milhar de euros. As "auditorias" a estas instituições  já provaram que não descobrem coisa alguma e deviam acabar, dando lugar a sindicâncias avulsas e a pedido fundamentado, mesmo anónimo:

Os juízes decidiram que as verbas das indemnizações aplicadas aos três condenados e que lhes permitem evitar as penas de prisão são destinadas a instituições de solidariedade e têm que ser pagas no prazo de seis meses.

Assim, Jardim Gonçalves vai entregar metade dos 600 mil euros à Ajuda de Berço e o remanescente à Raríssimas - Associação Nacional de Deficiências Mentais e Raras. Filipe Pinhal vai pagar 300 mil euros à Acreditar - Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro e António Rodrigues tem que avançar com 300 mil euros para a CASA - Centro de Apoio ao Sem Abrigo
.

O que esta escandaleira pindérica mostra é que a ética é uma batata e não dá de comer a ninguém, como dizia esse génio televisivo chamada Teresa Guilherme, rainha dos reality shows. O ambiente é o mesmo...

Aliás, esta é fresquíssima:
 
A estação pública de radiotelevisão vai gastar mais de 480 mil euros no aluguer operacional de 47 novos automóveis, segundo o contrato entre o canal e a Finlog, publicado na terça-feira no portal Base.
O contrato “de locação de bens móveis”, assinado com a empresa Finlog a 25 de outubro, estabeleceu o pagamento de 480.991,20 euros, mais IVA, e tem um período de 48 meses para um número de quilómetros que varia entre os 40 mil e os 140 mil quilómetros em função da tipologia de viaturas.
Por mês, a RTP vai pagar algo entre os 170 euros (viaturas tipo C, pequeno monovolume) e os 300 euros (viaturas tipo E e F, carro todo-o-terreno), de acordo com o contrato disponibilizado para consulta.

Qual a diferença entre a escandaleira pindérica da Raríssimas e esta, bem mais sofisticada da RTP dirigida por uma cambada? Apenas uma: os montantes em dinheiro que movimentam. A ética é a mesmíssima e vulgaríssima.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Os intelectuais de importação

Os intelectuais em Portugal parece que se extinguiram como espécie há cerca  de dez anos, com a morte de Eduardo Prado Coelho.

De resto,  mesmo este último exemplar enquanto vivo, intelectualizava através de outros semelhantes, um pouco mais evoluídos, que vivem além dos Pirinéus e ainda sobrevivem na penumbra dos dias que passam.

De vez em quando as revistas francesas que frequentam o meio, dão-lhes algum palco quando não fazem o balanço a benefício de inventário.

Em 20 de Maio de 2010 a mais influente dessas revistas dava-lhes uma capa e  vários artigos :



 Numa entrevista, um deles- Pierre Nora- fazia então o ponto da situação:quase um balanço final. A Economia tomou conta de tudo.



 No entanto, já em 18 de Março de 1991 outra revista francesa- Le Point- tinha feito tal balanço e destacado mesmo as disciplinas em decadência com destaque para o "estruturalismo" e a perda de importância de um Claude Lévy Strauss, de um Bourdieu ou de um Lacan, tudo gente muito lá da casa daquele falecido por cá.


Aliás, os franceses tinham o referido Claude Lévy-Strauss,  um etnónolgo que esteve no Brasil a fazer estudos, nos anos trinta do século passado, como um génio. Por cá parece que também é assim, ainda hoje...

Em Maio de 2008 a revista Magazine Littéraire consagrou-lhe um número inteiro, considerando-o "o pensador do século". Nem menos..



Algumas destas ideias ainda vicejam por cá nos isctes todos e madrassas anexas e sofremos as consequências dessa influência nefasta.

Por exemplo, no número de 20 de Maio de 2010, daquela Le Nouvel Observateur aparecem estas duas páginas em que a propósito da ideia comunista dialogam dois intelectuais Alain: Finkielkraut e Badiou .

A conclusão é aplicável nos dias de hoje ao PCP e ao BE: o desiderato de ambos é a destruição do outro que não pensa como eles, porque é essa a lógica que os anima, conforme Finkielkraut deduz das proposições do comunista Badiou. O totalitarismo que se justifica em nome da causa justa e a exclusão de quem não pensa como eles, se o puderem fazer. Tal como o nazismo ou o verdadeiro fascismo. Terroristas, portanto.

É com este tipo de gente que lidamos, em Portugal, sempre que ouvimos os jerónimos, os arménios, catarinas e louçãs. O problema é que ninguém os olha desse modo porque os media não mostram tal faceta. E isso acontece porque são eles quem os domina, mesmo que não pareça.


Aliás, em Março-Abril de 2014 a revista francesa Philosophie publicou um número especial sobre os "filósofos e o comunismo".

O mesmo Badiou, ideólogo do comunismo renovado e professor na escola Normal Superior, em França trocava argumentos com Marcel Gauchet chefe de redacção da revista Débat e pensador de referência da democracia liberal.

Três páginas desse debate:


Os franceses, porém, mesmo de esquerda já em 1996 achavam que tudo isso precisava de uma barrela...como se publicava na L´Évènement du Jeudi ( que deu origem à Marianne, saída em 1997 e que também trata destes assuntos de vez em quando) de 5 de Setembro de 1996:



Por cá, mesmo no tempo daquele falecido Prado Coelho havia pouca gente a discutir isto. Porém, nas escolas e madrassas havia de certeza muita influência destas doutrinas.

A prova de que ninguém liga nenhuma a isto é a publicação de um livro, o ano passado nos EUA, de Tom Wolfe, além do mais sobre o "darwinismo", chamado "The kingdom of speech", o reino da linguagem. Wolfe atira-se a...Chomsky, o linguista.
Já encomendei o livro mas por cá nem existe referência alguma.Preferem traduzir merdas a esmo.

Se não fosse a revista francesa Obs desta semana nem dava por isso...




segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

O novíssimo nacional-jornalismo

Há qualquer coisa de errado no jornalismo nacional da actualidade.  Para além de um modo de relatar factos e acontecimentos reportados a um passado de certa forma inventado,  nota-se agora uma estranha obsessão em pintar esse  passado com as cores de fantasmas passados cuja manifestação tinha cessado há algumas décadas atrás.

A efeméride dos 50 anos das cheias de 25 de Novembro de 1967 na região de Lisboa é um bom exemplo desse fenómeno.

Reparei nisso quando li esta reportagem de lembrança da mesma efeméride no Público de 23 de Novembro de 1997, aquando dos 30 anos dessa tragédia.

Compare-se este escrito com os que agora foram produzidos no mesmo jornal e noutros da actualidade:


Nem Salazar ou o salazarismo. Nem o fascismo ou a censura. Nem a miséria apontada ao regime ou mesmo a responsabilização directa pela tragédia. Nada disso, apenas os factos ocorridos relatados pelas gentes que os viveu, com as histórias pessoais que ainda lembravam.

Em 1977, nos dez anos de tal acontecimento nada apareceu nesses jornais de então, nem sequer  lembrança da tragédia vivida ainda por muitos vivos na época.



Porquê agora este destaque e enfoque particular no regime de então, mais de 40 anos depois de o mesmo ter desaparecido? Porque é que todo, mas mesmo todo e sem excepção, o jornalismo actual adoptou agora esta narrativa particular dos acontecimentos?  Deve existir uma explicação para este aparecimento vivificado da nova fantasmagoria de antanho.


Uma que me parece plausível tem a ver com a doutrinação jornalística da actualidade. A primeira escola de jornalismo enquanto tal surgiu em 1968, com a chegada de Marcello Caetano ao poder, conforme se mostrou anteriormente ( Século Ilustrado de 30 de Novembro de 1968):


Os professores de então eram pessoas ligadas às letras e cultura, não necessariamente adeptos do regime. Houve logo 400 inscritos para a frequência do curso, incluindo directores de jornais e alguns desses alunos foram certamente redactores das notícias que saíram em 25 de Abril de 1974 e nos tempos que se seguiram.

As actuais escolas de jornalismo reflectem um pouco isto que no outro dia se publicava no suplemento do Sol. A propósito de um suicídio em directo, na tv, explicava a jovem jornalista que os suicídios não são notícia, geralmente e tal tem um propósito: o senso comum em evitar réplicas. Não sei porque não se aplica o mesmo raciocínio a outros fenómenos socialmente destrutivos, mas enfim uma coisa poderá dizer-se: a censura, antes de 25 de Abril de 1974 também tinha esse benemérito propósito e por isso já vi escrito que nessa época não se podia noticiar casos de suicídio porque a censura não permitia  o que obviamente colide com a justificação apresentada à luz actual mas coincide com a realidade desse modo distorcida.
Esta espécie de antonomásia  em que a censura figura um regime explica um pouco o fenómeno acima exposto: certos relatos jornalísticos explicam-se por outros motivos que não a censura estrita, tal como certos acontecimentos ocorrem à revelia de qualquer regime.


 Então porque se inventa, passados 50 anos, uma história que se reescreve segundo parâmetros explicativos que afinal terão pouco mais de uma dúzia de anos?
 
Por outro lado, a alteração dos critérios jornalísticos e a mudança de paradigma no modo como se relatam factos e acontecimentos, conduzem o leitor e espectador ao que vulgarmente se chama agora "pós-verdade" ou verdade substitutiva da realidade, por aditamento ideológico-político em substracto.

Portanto, uma grande mentira.

O que aconteceu ao jornalismo caseiro para que este fenómeno se espalhasse como fogo na palha de modo que se uniformizou e tornou paradigma?

Foram certamente as escolas, os professores e os exemplos de redacção. Quem dominou todo este panorama intelectual nas últimas décadas? Os mesmos que tinham dominado as anteriores, ou seja a esquerda.
E porque razão esta mesma esquerda não sentiu necessidade em atacar o regime de há 50 anos, quando ainda passavam dez ou vinte anos sobre tal efeméride?

Julgo que a resposta pode ser dada com este exemplo, do O Jornal de 25 de Novembro de 1977: nessa altura até um crítico de cinema se dava ao luxo de explicar o que era o "fascismo", subentendendo sempre que o anterior regime assim o era.


Hoje em dia não se escreve assim, mas reportam-se os acontecimentos desse passado enquadrando-os no sistema de valores e referências culturais que entretanto foram ensinados aos alunos de jornalismo e ao povo em geral. O discurso substancial permanece o mesmo, portanto a mudança foi apenas aparente.
O que mudou de facto foi apenas a forma de actualização histórica em que a verdade tem que coincidir com o relato ideológico subjacente. Mesmo que seja falsa.
O novíssimo jornalismo nacional é uma expressão do nacional-jornalismo, uma subspécie do totalitarismo.
Agora não se explica o que era o "fascismo", apenas se diaboliza o regime anterior através de invenções escritas e conceptuais  sobre fenómenos que não existiam enquanto tal mas se tornaram numa realidade alternativa destinada a explicar em modo actual e moderno o que dantes era reduzido a uma palavra e um conceito.
 Como essa linguagem passou de moda, permanecendo  apenas activa nos sarcófagos comunistas , inventou-se uma nova linguagem que é a que vemos em uso corrente. 
A Mentira, essa, é a mesma de sempre.

domingo, 10 de dezembro de 2017

Bullying mediático-feminista

No Público de hoje várias mulheres, incluindo uma articulista- Ana Cristina Pereira-, uma investigadora de "estudos de género" ( !!!), Sofia Neves; uma associada de uma organização de mulheres ( !!!!) UMAR, Elisabete Brasil; uma investigadora de uma associação de estudos sobre mulheres (!!!!!), Isabel Ventura; uma especialista em igualdade de género e violência doméstica (!!!!!!), Leonor Valente e nenhum homem, atiram-se como gato a bofe a uma decisão judicial de primeira instância, ainda não transitada em julgado porque objecto de recurso para a Relação.

A decisão é relativa a um julgamento de um caso de violência doméstica associada a um crime de detenção de arma proibida que permitiu o julgamento em colectivo. Assim parece porque é dado o nome de acórdão à decisão, mas tal não é claro porque aparece apenas o nome do juiz relator, como visado directamente na notícia. O costume das imprecisões jornalísticas sempre afoitas em ver argueiros alheios sem topar as traves que se lhes anteparam.

Aqui fica o artigo, mais um,  da tal jornalista destes costumes lamentáveis, o qual tem mais uma página sobre estatísticas de casos semelhantes e que procura levar água a um moinho de vento de uma história necessariamente mal contada. Porque há sempre dois lados de uma mesma história e aqui só aparece um deles.


Lendo o artigo o resumo é simples e linear: há uma vítima e um algoz e este foi absolvido porque o tribunal não soube analisar a prova que estas especialistas em feminismo militante topam à distância de uma olhadela breve para o teor de uma decisão que aparentemente nem sabem ler.

Nem tal se torna necessário porque a ideia básica é refazer o julgamento feito com base nos depoimentos e queixas da vítima, mulher sofrida como elas. Isenção, distância, independência, ponderação, razoabilidade, bom senso, nesta questão? Não são qualidades que importem a estas especialistas do feminismo. Importante, sim, é desancar o machismo que lobrigam pelo buraco de uma fechadura de  casa de família. A violência é doméstica.
O caso concreto? Conhecem bem, segundo julgam. Já passaram por outros e são todos iguais: as mulheres são vítimas de violência doméstica; os homens os seus algozes, sem direito a defesa alguma porque já são defendidos pelos preconceitos existentes na sociedade.
Estas feministas querem por isso destruir tais preconceitos porque a sua causa é essa luta.
Tal como dizia uma colega delas, chamada Isabel Moreira, filha de um salazarista de antanho convertido à democracia, é preciso que os homens tenham medo das mulheres porque até agora tem sido o contrário ( disse-o claramente no último Prós&Contras, embora com a nuance de uma correcção canhestra e intempestiva e aliás apontada por outrém, o jornalista Sebastião Bugalho que lhe ganhou neste jogo de berlinde).

É isso que estas feministas pretendem acima de tudo: que os tribunais condenem os homens, sistematicamente, com as provas únicas de uma declaração de vontade das vítimas, credoras de toda a veracidade no que dizem e fazem em julgamento. Basta-lhes essa prova rainha sem necessidade de mais contraditório que dispensam. Mulher que acusa o marido é vítima, pela certa e tal não carece de prova porque muitas vezes impossível será.
Se o julgamento judicial não lhes agrada partem, se puderem, para o julgamento mediático, histérico se for preciso e contando por esse meio colher a vantagem que perderam naquele.

Será o caso deste caso? É mais que provável e passo a expor.

O artigo começa pela enunciação de factos que constam no acórdão, mas não de todos eles. Apenas meia dúzia para apresentar um contexto espaço-temporal. As demais circunstâncias obrigatoriamente pendentes na decisão ficam omissas, nomeadamente as que explicam e apresentam o contraditório.

O julgamento mediático, jornalístico, ao contrário do judicial dispensa tal contraditório, dispensa qualquer isenção e imparcialidade e dispensa a objectividade.
Ao longo do artigo será escusado procurar a versão do arguido acusado, do seu defensor ou das prova que existirão em seu favor. Como principal defensor deste é apresentado o juiz relator do acórdão, abertamente acusado de parcialidade e deturpação dos factos.

Embora estas circunstâncias resultem da leitura apressada dos argumentos da "assistente" são os mesmos dados como a expressão da verdade e por isso da imputação ao juiz na primeira página que o desgraçado Dinis ou alguém por ele, ao Domingo assim permitiu: os "juízes duvidam que uma mulher autónoma possa ser vítima de violência doméstica", topam a mensagem? É este o meio:


A primeira reacção recolhida à decisão é a de uma "investigadora do Centro Disciplinar de Estudos de Género da Universidade de Lisboa, docente no Instituto Universitário da Maia, presidente da Associação Plano I", Sofia Neves: "é arrepiante", sem mais. Ou com mais este molho: " o texto está carregado de estereótipos, de preconceitos".
Para bem ser, em vez desses putativos preconceitos seria melhor o preconceito ao contrário, alvitrado pela esotérica Isabel Moreira: meter medo aos homens, após uma denúncia de qualquer mulher por violência doméstica.

O que estas feministas pretendem é apenas isso: trocar o velho ditado, fruto de sabedoria antiquíssima de "entre marido e mulher não metas a colher" pela asserção modernaça da vitimização da mulher e punição do homem investigado por método inquisitorial. Não há contraditório admissível a quem agride uma mulher, desde que esta o declare como tal. A culpa incumbirá sempre ao agressor e o ónus da prova de inocência também.

No artigo diz-se que não foi possível ouvir o magistrado que acusam de malfeitoria porque este explicou que o não pode fazer, por reserva. Não importa, porque essa reserva não se aplica ao jornalismo trash que se pratica em prol de uma causa benemérita: o feminismo activista.  O juiz em causa, apesar de a decisão ser colectiva, aparece com nome posto e a insinuação de que o CSM tem que se pronunciar sobre o caso escandaloso, tal como fez no outro caso da Relação do Porto. Assim, claramente.

E que mais resta dizer deste julgamento mediático, apenas com prova da acusação? Que este jornalismo é um nojo? Fica implícito. Que é incompetente? Fica dito. Que é preconceituoso no limite das contradições em que se coloca? Fica esclarecido.

Um julgamento judicial parte de uma acusação com delimitação do objecto processual e com as provas tarifadas que são apresentadas e debatidas em audiência pública. Esta decorre em imediação, ou seja, com todas as pessoas cara a cara, em princípio e aí se avalia o que depõem e de que modo, ou seja qual a veracidade do que dizem ou desdizem. Pode ser um método falível e até no caso concreto o poderá ter sido mas ainda não se arranjou um método melhor. Será este jornalismo de causas, o preferido para se substituir àquele?

A dinâmica de um julgamento deste teor com factos em causa, só poderia ser sindicada com a repetição da visualização de toda a audiência que ficasse gravada em video e mesmo assim, ficariam dúvidas, no final relativamente à credibilidade de testemunhas e depoimentos e portanto dos factos apresentados.

Três juizes em julgamento efectuado deste modo serão sempre infinitamente mais capazes de avaliar os factos do que o depoimento avulso de cinco feministas convictas de que um agressor doméstico é culpado ipso facto, tendo em conta que o fazem lendo o que aqueles escreveram sobre o que presenciaram em audiência. Ainda por cima sem qualquer contraditório que aqueles observaram e atenderam.O arguido, aqui, não existe como entidade susceptível de defesa. Tal como nos piores momentos da Inquisição é apenas um condenado de preceito porque afinal é culpado que não foi capaz de demonstrar a inocência perante uma acusação da vítima. Fogueira com ele!

Se uma jornalista não percebe isto devia mudar de profissão porque não percebe nada do que anda a fazer. Ou então percebe demasiado do que não devia fazer: jornalismo de causas contra alguma coisa. No caso, os homens.

O Estado da corrupção perfeita

Notícia do CM de hoje:


A notícia significa isto: o negócio dos pareceres jurídicos pedidos pelo Estado, em Portugal custa cem milhões de euros por ano! Cem milhões!  É com isto que contam as empresas de advogados que assim recebem o estipêndio do Estado para sobreviverem à custa do Orçamento e do dinheiro público. Subsídios que o Estado, através de um governo com muitos advogados à ilharga concede para manter o nível de vida dessas grandes empresas e pequenas também como a dos apaniguados do regime.

Há uns dias saiu um diploma aprovado pelo Governo- D.L.149/2017 de 6 de Dezembro- que se destinaria a disciplinar esta actividade altamente lucrativa ( não tem gastos materiais a não ser o tempo que leva a elaborar o parecer cujo conteúdo na maior parte dos casos não passa de algumas dezenas de páginas com referências jurídicas discutíveis e cuja essência é quase sempre a inutilidade para além da formalidade jacobina da sua existência.

Esta pouca-vergonha dura há décadas porque há décadas que são advogados quem orienta os executivos, na sua maior parte.
Há ministérios de certos governos que não passam sem esta comparticipação privada na governação como foi o caso de Paulo Portas nos negócios em nome do Estado na Defesa nacional e em algumas privatizações.  O Lacerda que agora ajuda o governo sabe muito bem como é e outros Sarmentos também, para além das Cristas que por aí andam. Um especialista é o advogado casado com a ministra da Justiça. Em direito fiscal não há quem o bata e o Estado está muito carente de jusristas que, coitados, apenas ganham o salário de funcionários e são obrigados a escrever pareceres que enformam os processos tributários. Esses parece que são inúteis porque há sempre outros, privados, pagos a esta mesa lauta do orçamento avulso dos ajustes directos.

Cem milhões dá para tudo, este ano que vem. Para o próximo há mais.

Esta notícia do Sol já tem mas de meia dúzia de anos mas não é por isso que se modificou fosse o que fosse no Estado-Administração.

 https://4.bp.blogspot.com/-CXNoLxhtbs8/WifXO-9hsII/AAAAAAAAkLM/_SoeLm07dRAGUKTAqx4Tdg97HVQqHkjBwCLcBGAs/s1600/advogados-e-estado1.jpg


Quem beneficia neste negócio? O Estado? É muito duvidoso porque aposto que a maior parte dos pareceres são apenas verbo de encher os bolsos dos grandes escritórios da advocacia nacional, para confortar oposições aguerridas ou silenciar

Mas...vem aí uma tal JurisApp, uma invenção recente destes governantes para enganar o povo mais uma vez e cuja composição pessoal vai ser mais uma negociata política, como de costume.
Agora, a contratação de advogados depende de um parecer que até será obrigatório e vinculativo mesmo para serviços da administração indirecta do Estado. Menos para o "sector empresarial do Estado" que esse é um mundo áparte de taps e tapinhas dos lacerdas e companhias orientais.

E quem dará tal parecer? Uma nova entidade, pois então: a tal JurisApp. Uma espécie de cresap para seleccionar advogados a contratar pelo Estado-Administração directa e indirecta.

Com cem milhões para sindicar vai ter muito que fazer, a JurisApp. Ou talvez não...embora seja muito difícil descortinar quem vai sindicar os contornos destes negócios todos, com os media que temos,  a quase completa ausência de escrutínio público destas negociatas, em muitos casos.

As contas que se aproximam dos 10 milhões de euros por mês, darão para gastar, com autorizações de pagamento despachadas pelas secretarias dos ministérios, tudo legalmente e à fartazana.

Vai dar para todos...não temos emenda e este Estado comunga do fenómeno da corrupção perfeita.

A tal que não se dá por achada. Mas teremos sempre os discursos de quem a "combate" ,  para entreter. Pour épater le bourgeois, como dantes se dizia.